sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Análise

Eu poderia ser um inspetor de polícia, poderia ser um detetive particular, poderia ser um xamã picareta ou simplesmente o maior mexeriqueiro (palavra old, porém gold) de todos os tempos. Ou, por um mero acaso, poderia ser um psicólogo.

De onde tirei essas quase totalmente incongruentes afirmações, não fosse pelo traço em comum que as sustenta, inclusive no mesmo parágrafo? É simples e a resposta já foi dada: a análise, propriedade em comum de todas. Eu gosto de análises, sejam menos ou mais profundas, gosto de "porques" (separado, tudo junto, sei lá, deixo pra Clau vir corrigir) e "como" as coisas acontecem, como determinado fato terminou de uma forma e as vezes o mesmo fato causou consequências muito distintas.

Vamos lá, admitam, quem não gosta de uma fofoca? Não necessariamente pelo desejo - na maioria das vezes quase doentio - de saber o que acontece na vida alheia, embora a incidência desse fator motivacional infelizmente seja alta, mas pela simples possibilidade de ter algum mistério a lhe confrontar, algumas teorias a elaborar e, se possível, testá-las e comprová-las (ou não). Pois eu gosto e muito disso, gosto de pensar, costumo achar que penso demais e sei que, embora isso previna uma série de más consequências, acaba me furtando possíveis e diversas vezes prováveis boas consequências, mas ao mesmo tempo, sinto um incomparável prazer ao ver que minhas suposições e inferências eram corretas, e devo dizer, sem o menor esforço para soar menos pretensioso (o que fatalmente me torna modesto), que tenho certa inclinação ao acerto, especialmente se o fato particularmente analisado diz respeito a pessoas muito próximas. As vezes posso me equivocar no que diz respeito a previsões, aliás, meu forte não é prever, é buscar causas. Recentemente ocorreu-me uma situação curiosa, em que inclusive explanei aos envolvidos tudo que eu imaginava e havia inferido como causas potenciais e possíveis atitudes corretas a serem tomadas, mas tenho de admitir que não havia previsto o rumo que as coisas tomaram, apesar de minha plena certeza quanto às raízes do conflito.

Contudo, deixando claro que o fato de não ter previsto o que aconteceria não significa não ter antevisto a possível consequência do rearranjo contextual, apenas denota demasiada inabilidade de arriscar em alguns momentos.

Pois eis que, dentre as possibilidades levantadas no primeiro parágrafo, parece que a que me cai e sempre me caiu melhor foi a de ser psicólogo, profissão essa ainda não tão reconhecida quanto gostaríamos, cercada de preconceitos e mitos, mas certamente muito intrigante, ou você nunca viu ou esteve numa situação em que as pessoas discutem porque (corrige aí Clau) fulano matou os pais, porque ciclana terminou com o namorado, porque beltrano largou o emprego e foi virar músico, porque o cara é homossexual (desculpe desapontá-lo (a), mas o máximo que a ciência pode dizer até hoje é que talvez haja uma questão genética mas o que é mesmo relevante é o contexto em que o indivíduo está inserido, a não ser que uma simples falácia de autoridade seja o suficiente para você, como um religioso com explicações "divinas" ou um geneticista bitolado). E, cabe ao psicólogo - que carinhosamente chamo de Detetive da Mente (para os mentalistas) ou Detetive do Comportamento (para os comportamentalistas), entre outras vertentes, como queiram - se infiltrar nesse enredo cheio de entrelinhas e ser capaz de prover uma resposta satisfatória, ou ao menos um bom palpite do que deve ou não ser feito.

Antes que acusem-me de preterir as emoções em favor de uma frieza e calculismo racionais, isso é verdade. E mentira. Ninguém é só racional ou emocional, existem características predominantes em determinados períodos, mas nossa essência é a mudança, quem nunca muda, bem no mínimo que seja bom manobrista porque tende a ficar sempre estacionado.

1 comentários:

Apollonivs disse...

Você já imaginou se a gente só escolhece as "profissões" coerentes de acordo com o senso comum da nossa sociedade ?. Eu jamais teria feito Filosofia, porque todo mundo fala que não dá dinheiro, mas é o que eu gosto, melhor do que essa geração dos anos 90 , todos fizeram Administração, hoje o nosso país quase não tem engenheiros e professores, e tem áreas onde há tantos formados que o mercado está saturado, e com certeza essas pessoas vão precisar de psicólogos, porque nã fizeram o que estava de acordo com o coração, e sim com a mente capitalista ( vixe, parece discurso de esquerdista, mas não é...pelo menos eu acho.)

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