sexta-feira, 14 de maio de 2010

Ethos

Vamos falar de ética.
O que você entende por ética? Trocentos pensadores debruçaram-se sobre o tema, alguns conseguiram conclusões no mínimo divertidas. Outros, no mínimo sem graça. Eu, não devo chegar a conclusão alguma, primeiro pq não sou filósofo, segundo, pq não espero chegar a uma mesmo.

House é anti-ético? Eu não sei, me arrisco a dizer que sim e não. Cheguei a um ponto em que simplesmente não consigo condenar alguém por alguma coisa, sem antes tentar olhar para todas as informações de sua vida às quais temos acesso. Um velho e carismático professor nos disse uma vez, com a experiência de dois mandatos no Executivo e outros no Legislativo: "eu não serviria pra ser promotor, não poderia condenar alguém que roubou algo, ou cometeu um crime, se suas condições de vida não lhe permitiram outra saída".

Aí que está o ponto central, o mesmo ponto para muita gente, que insiste em tocar no assunto com diferentes óculos sociais: as pessoas NÃO SÃO livres, a liberdade é um mito. "Ai, você tá viajando, de onde você tirou isso? E os três ideais franceses, 'Liberdade, Igualdade e Fraternidade'? " Ora, bobagem, seria esperar demais que alguém que acredita na noção de liberdade visse as coisas por essa perspectiva, ainda mais se esse alguém é de uma camada social que aspira dominar outras, e no caso dos franceses em questão, dominaram e não largaram o osso nunca mais (até sabe-se lá quando). Você, que está lendo este post nesse exato momento de sua vida, acha que o fez deliberadamente e por pura vontade? O fez comandando suas ações? Acha que é senhor (a) de seu destino a ponto de sair por aí vomitando coisas do tipo "a Globo não me manipula; o Sílvio Santos é um programa alienante de auditório; não escuto pagode porque é coisa de gente que não entende de música; Hollywood é uma bosta, gosto é de filmes indianos feitos de animação de massinha por causa da fotografia". #FAIL

Tenho tendência a crer, e cada vez mais, que funcionamos de acordo com aquilo que dispomos pra funcionar, ou seja, eu, você e todo os organismos, agimos sob controle de eventos ambientais internos e externos (como eventos ambientais entenda tudo que ocorre dentro e fora de vc, e por favor, sem mentalismos, sem romantismos). Ué, não é tão difícil assim de entender, tente pensar em relações causais, você comeu porque estava com fome. O que é fome? Fome é um rótulo para uma série de reações físico químicas que advém de um estado mínimo que seja de privação alimentar, estado de privação esse que é capaz de fazer com que o sujeito comporte-se de maneira a buscar alimento. Pois bem, ao buscar o alimento em um lugar x ou y, e encontrá-lo ou não, você tende a voltar no lugar em que encontrou o alimento, quando novamente estiver com fome e tende a não voltar no lugar em que não encontrou. Não é difícil de entender e inferir os eventos ambientais e respostas do organismo que descrevem a situação, e nem acho tão difícil de imaginar isso em contextos mais amplos, com o devido cuidado na hora de entender "quem vai aonde", ou seja, não misturar causas e consequências.

Infelizmente é lugar comum essa confusão entre causas e consequências na história da humanidade, vejam os sentimentos por exemplo. Se você vê alguém chorando, qual você arrisca, ela está chorando pq está triste, ou está triste pq está chorando? Fica a questão pra ser pensada.

A ética resultante dessa lógica funcional é flexível. Hoje, por uma série de fatores, é ético agir assim, amanhã já não. Quem aqui pode dizer o que fez com que os Nardoni lá agissem daquela forma com a menina? "Pais não fazem isso, natural dos pais é cuidar dos filhos". Quem disse isso? Os espartanos condenavam ao abismo crianças consideradas incapazes de lutar, sem nem ao menos dar-lhes a chance de tentar aprender. É correto? Não sei, mas funcionava pra eles, esse é o ponto.
Dentro da seleção natural e seleção pelas consequências, aquilo que é evolucionalmente selecionado é o que contribui para a sobrevivência da cultura. Espécies surgem e desaparecem porque não foram capazes de se comportar no ambiente de forma a extrair dele meios para sua própria sobrevivência. As espécies que conseguiram e vem conseguindo, de uma forma ou de outra estão aí, se vão continuar por quanto tempo, não sabemos.

Ou seja, agir eticamente seria, preferencialmente, agir de modo a garantir a preservação da espécie. Para garantir a preservação da espécie, é preciso variabilidade. Em nossa cultura ocidental, a monogamia é sustentada pela maior parte das sociedades como forma padrão de relacionamentos interpessoais amorosos. E aí, é natural? É ético do ponto de vista funcional e evolutivo?

Ética torna-se então um conceito difícil de definir, com práticas arbitrariamente determinadas, não à toa o que mais se escuta falar são questões de conflitos éticos nos mais variados campos. Estaria a humanidade toda errada? Ou a ética é que é determinantemente falha?

4 comentários:

Aline disse...

Comecei a ler o post, pensando: uhuuum ética, a cara do Di, ta certo. Continuei lendo. UIA! Sócio-histórica aqui!? que legal! ............ ah tá. Chegou no behavior!
hahahahahahaha engraçadíssimo!!

Achei muito legal Di. Adorei as partes sobre ética. Dá-lhe Ari! eheheh

bjo

Bruno Ol disse...

Comecei a ler o post, pensando: uhuuum ética, a cara do Di, ta certo. Continuei lendo: ZZZzzzz...

Pamela Mansano disse...

Começei a ler o poste.. ZzZzZzZzZzZzZ...

Pamela Mansano disse...

corrigindo.

Post*

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