sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Categoria "gente"

Uma coisa que já há muito me incomoda, especificamente esse ano, é a ausência de repertório das pessoas - me incluo nessa lista em vários aspectos - para relações interpessoais. Tanto familiarmente, quanto entre amigos ou parceiros/as é cada vez mais complicada uma interação positiva, sadia. 

Um fator que contribui negativamente são as redes sociais das mais diversas e mutáveis formas. Entretanto, a predominância - to falando de achismo, não tenho dados pra sustentar minha ideia - da comunicação escrita, com MSN, chats variados e o malfadado SMS, vilão e mocinho ao mesmo tempo, facilitam a comunicação controversa. A tecnologia per se, como diriam alguns, não pode ser responsabilizada por seu uso indiscriminado e "inadequado", há quem use bem e quem só faça cagadas. Porém, na minha opinião a probabilidade de mal entendidos pela via escrita é bem maior do que por um telefone ou mesmo pessoalmente.

De qualquer forma, resolvi citar alguns critérios que eu considero fundamentais para alguém ser chamado de "gente", em outras palavras, repertório básico de habilidades sociais que EU, repito, EU, acho importante. Respeito e consideração pelo outro.

É preciso operacionalizar isso melhor, pois bem: 

- temos que pensar para falar quando nos dirigimos a outrem, não apenas falar o que vem à cabeça pois palavras proferidas não costumam ser esquecidas facilmente; 
- da mesma forma, não é recomendável sair falando aquilo que não gostaríamos que nos fosse dito; 
- não é legal atacar o outro sem premissa real, mesmo que para você o que ocorra dentro da sua cabeça seja real, e aviso, grande parte das vezes NÃO É, não diz respeito à realidade concreta;
- não perguntar coisas as quais não quer saber as respostas ou não sabe lidar com elas é outro ponto importante;
- é recomendável doar-se para a relação de forma no mínimo proporcional ao esforço do outro; na     impossibilidade de, ao menos respeitar os critérios anteriores que tá tudo certo, até pq esse equilíbrio é muito mais idealizado do que possível.

Esses são alguns comportamentos que, uma vez seguidos, tem o potencial de alçar o sujeito à categoria de "gente". E eu quero gente por perto, e não algo apenas parecido com isso.



3 comentários:

Makoto disse...

Aparentemente dois elementos presentes na comunicação online escrita são o demônio da coisa. A distância do interlocutor, que torna certos tipos de consequências menos pensáveis ou previsíveis, e a ubiquidade da presença online. Este último ponto merece um pouco mais de reflexão:

Repare que usualmente quanto mais tempo a pessoa passa online, ativamente engajada em atividades dessa natureza, maior é a probabilidade de ela ser... controversa... (na falta de uma palavra melhor que não seja ofensiva) já que ela fica interagindo constantemente com muita gente e recebendo poucas consequências de grande magnitude. A pessoa fica online então muito tempo porque precisa, e ela precisa variar muito o tipo de produção para obter atenção e esses tipos de coisa. Daí que se fazem os tipos da internet, as attention-whores (que também podem ser homens, mas em outras dimensões), os eternamente deprimidos, os que são felizes e festivos o tempo inteiro e por aí vai.

Essa discussão é muito interessante, devíamos juntar e fazer um monte de análise e síntese. =D

Diego Fernandes disse...

Cara, devíamos juntar e fazer muita coisa mais. Ultimamente a coisa tá feia por aqui, mas é um projeto pro futuro, uhahua.

Em tempo, os esquemas de reforçamento que a internet proporciona, em interação com sujeitos diferentes e, portanto, com horários e hábitos diferentes, é um negócio perigoso. A todo momento acabamos abrindo facebooks, emails, twitters, etc; já que a audiência é rotativa e a atenção é quase constante. E nos momentos em que ela se faz ausente, a magnitude do reforço nos mantém lá, "sabendo" que jajá ela volta em alguma medida.

E daí pro vício, é dois pulos, até porque não deixa de ser uma forma de atenção social e isso sempre é muito poderoso.

Thiago Quintella de Mattos disse...

Há um afastamento também dos livros; literatura ou ensaios. Tem-se a impressão de que com um universo de possibilidades de adquirir célere conhecimento pela internet, afasta-se de uma leitura concentrada, compenetrada que todo o ritual do livro nos proporciona. Mas isso que falei aqui poderia ser o tema "conhecimento".

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