sábado, 28 de fevereiro de 2015

A Ciência do Comportamento Pode Vir a Ser Nossa Mais Importante Ciência

por Anthony Biglan, traduzido diretamente do Huffington Post por este blog para divulgação.


A ciência mudou nosso mundo. Subestimamos os efeitos das tecnologias físicas e biológicas em nosso mundo, esquecendo que a travessia da costa oeste à costa leste ou a comunicação com alguém do outro lado do oceano já levou meses. A ciência melhorou dramaticamente nossa saúde também. Na Inglaterra do século XIX, mais de 100 mil pessoas morreram antes de John Snow demonstrar que a água contaminada era a causa da cólera.

Pode parecer que mudanças tão esplêndidas não são possíveis quando se trata do comportamento humano. Nós continuamos a ter problemas significantes como criminalidade, abuso de drogas, depressão, fracasso acadêmico e pobreza. Ao ler os jornais, você pode pensar que não progredimos de forma alguma em tais problemas e que nenhuma mudança é possível.

Mas você pode estar errado. Um grande progresso tem sido alcançado no modo como tratamos e prevenimos tais problemas e é esta ciência que possui um potencial para melhorar o bem estar humano para muito além das ciências físicas.

Se você não está ciente do progresso das ciências do comportamento, é por que tal progresso é relativamente recente e porque as políticas e os programas que podem prevenir ou atenuar tais problemas ainda não são utilizados em grande escala. Estamos à beira de uma revolução no uso das ciências do comportamento que melhorará o bem estar das pessoas de formas que se revelarão tão dramáticas quanto as mudanças que testemunhamos na medicina, física e química.

O relatório sobre prevenção, do Instituto de Medicina colocou a questão dessa forma: "A fundação científica tem sido criada para a nação começar a desenvolver uma sociedade na qual jovens atinjam a idade adulta com habilidades, interesses, recursos e hábitos saudáveis necessários para viver vidas saudáveis, felizes e produtivas em relacionamentos afetuosos com os outros".

O relatório mostrou que ao longo dos últimos 40 anos, cientistas do comportamento desenvolveram intervenções preventivas para cada etapa do desenvolvimento - desde o período pré-natal até a adolescência. Numerosos programas para famílias e escolas demonstraram, através de rigorosos estudos randomizados, serem capazes de prevenir múltiplos problemas entre os jovens. Boa parte de tais intervenções continuaram a prevenir problemas muito depois do fim do programa. E muitos desses programas se mostraram muito mais econômicos em sua implementação do que são os custos com justiça criminal, vítimas, educação especial e assistência médica.

Ao mesmo tempo, cientistas do comportamento identificaram um conjunto de políticas que são benéficas na prevenção de problemas como lesões relacionadas ao álcool e iniciação ao cigarro na adolescência.

Progresso similar tem sido atingido no modo como são tratadas pessoas com problemas. Steve Hayes tem escrito neste site sobre muitas das intervenções que estão revolucionando a psicologia clínica.

A simples leitura das pesquisas não o colocará em contato com as crianças e adultos cujas vidas estão mudando para melhor. Por exemplo, o Nurse Family Partnership tem se mostrado benéfico na ajuda de mães pobres e em situação de risco durante sua primeira gravidez e durante os dois primeiros anos da vida de seus bebês. Já alcançou mais de 200.000 mães. Tem ajudado mulheres como Shanice ao fornecer uma experiente e cuidadosa enfermeira para ajudá-la a conseguir o suporte médico e social que precisa durante sua gravidez e para guiá-la no modo como cuida de sua criança. Na primeira avaliação do programa, 35% das crianças que não se beneficiaram dele foram detidas por volta dos quinze anos, mas o número entre aqueles que se beneficiaram foi menor do que a metade. Pense qual o impacto que pode ter havido entre as mais de 200.000 famílias beneficiadas do programa.

Ou considere o Good Behavior Game, que tem sido cada vez mais utilizado em escolas pela América do Norte. Ele ajuda crianças a aprender a cooperar e a se concentrar. Pequenos times de estudantes ganham simples recompensas, tais como a chance de dançar ou fazer barulhos engraçados após trabalhar exitosamente em conjunto por curtos períodos. Um estudo com o Good Behavior Game feito na Universidade John Hopkins mostrou que jovens que jogaram o Game logo no primeiro ou segundo ano foram menos propensos à prisão ou a fumar na escola secundária. No período em que estavam entrando na vida adulta, aqueles que jogaram Good Behavior Game apresentaram menos comportamento suicida e abuso de drogas e foram mais propensos a se graduar no colegial e a frequentar a universidade. O jogo mudou vidas.

A difundida implementação de programas, políticas e práticas que cientistas do comportamento têm desenvolvido pode trazer benefícios significativos para milhões de Americanos. Mas não iremos alcançar todos as possíveis melhorias para o bem estar humano a não ser que também reduzamos a pobreza e desigualdade econômica. Os E.U.A. possuem o nível mais alto de pobreza infantil de qualquer nação desenvolvida. Isso porque no último meio século políticas públicas evoluíram em uma direção indesejada por muitos de nós.

Antes de John Snow demonstrar que água contaminada causou cólera, o esgoto bruto despejado no rio Thames poluiu a água potável. Atualmente tais condições anti-higiênicas seriam impensáveis. Estou ansioso para o dia em que será impensável permitir a uma criança viver em um ambiente que falha em estimular seu desenvolvimento.

Em minha próxima postagem irei dizer quais os ingredientes chave desses programas efetivos e como a ciência do comportamento humano pode nos ajudar a desenvolver uma forma mais estimulante de capitalismo.



Anthony Biglan é um Cientista Sênior no Instituto de Pesquisa Oregon em Eugene, Oregon, e autor de The Nurture Effect: How the Science of Human Behavior Can Improve Our Lives and Our World, a ser publicado em breve.














1 comentários:

Anônimo disse...

Dizem que estão fundando também uma instituição para ajudar cientistas do comportamento que querem ajudar as pessoas, com cientistas do comportamento com regras morais elevadas a uma segunda potência. Inventaram um nome em inglês também, algo que ficaria muito convincente, mas poxa, esqueci.

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