domingo, 7 de fevereiro de 2016

Prefácio de "A Ciência das Consequências", por Susan Schneider



 
Schneider, S. M. (2012). A Ciência das Consequências: como elas afetam genes, mudam o cérebro e impactam nosso mundo.


Prefácio

Todos os dias nossas ações tem consequências, grandes e pequenas. Uma tarefa cumprida, um sorriso, um promoção. Consequências motivam: recém-nascidos se esforçam para ouvir a voz de suas mães. Crianças se tornam graduadas em ligar e desligar as luzes por conta daquele amável e surpreendente sentimento de controle. Um caleidoscópio de consequências aguarda.

A despeito de sua deslumbrante variedade, consequências aparentemente seguem um conjunto comum de princípios científicos – o que foi uma grande surpresa para os primeiros pesquisadores. Do mesmo modo, consequências muito diferentes parecem compartilhar alguns efeitos similares no cérebro. Há muito que conhecemos os chamados “centros de prazer”, por exemplo.

De simples recompensas a relações muito mais complexas, a ciência das consequências tem expandido e prosperado ao longo do último século, se tornando uma parte integral da psicologia, biologia, medicina, educação, economia e muitos outros campos (Nota 1). A partir de uma abordagem da “interação de sistemas”, este livro descreve essa ciência, seu papel no amplo reino da natureza e desenvolvimento, e suas muitas aplicações.

Consequências modelam nossas escolhas, e nossas escolhas modelam a nós e a nossas sociedades. (Algo já compreendido pelos Gregos antigos). A Ciência das Consequências conta a história de como algo tão enganosamente simples pode dar sentido a tanto.



PARTE 1: CONSEQUÊNCIAS E COMO A RELAÇÃO NATUREZA-DESENVOLVIMENTO REALMENTE FUNCIONA

Imagine não ser capaz de aprender com as consequências. Uma criatura pequena e primordial, por exemplo, pode ter uma reação do tipo reflexa afastando-se da luz. Mova-a para uma área iluminada para comer, e então observe sua reação automática ocorrer, levando-a para longe e deixando-a morrer de fome em meio à abundância. Um pouco de flexibilidade seria de grande ajuda.

Uma vez desenvolvida a habilidade natural de capitalizar sobre o sucesso, ela permaneceu. Pássaros e abelhas, ou mesmo platelmintos e moscas de fruta – todos nós aprendemos com as consequências. Quais consequências? Alguns aprendem do jeito difícil, enquanto outros são ensinados ou aprendem naturalmente. Essa é em si uma história. 

A parte 1 explora os meandros do grande quadro biológico, que é mais complexo do que podíamos imaginar. Veremos natureza e desenvolvimento sempre trabalhando juntos, interagindo em todos os níveis, das bases de nucleotídeos de nosso DNA, aos nossos ricos e estimulantes ambientes. Graças à biologia molecular, por exemplo, sabemos que consequências ativam e desativam genes rotineiramente. Graças às neurociências, podemos ver como a aprendizagem por consequências expande e reorganiza o cérebro. Das mais recentes aplicações baseadas na neurociência ao excitante e novo campo da epigenética, consequências estão presentes.


PARTE 2: HÁ UMA CIÊNCIA DAS CONSEQUÊNCIAS?

Algumas vezes você consegue o que quer de forma rápida e fácil: olhe pela janela e verá a paisagem. Com mais frequência, você tem que trabalhar ou esperar: você pode ter que checar várias vezes por um e-mail aguardado ansiosamente, por exemplo. Como B. F. Skinner notou, consequências ocorrem efetivamente em algum tipo de cronograma. Diferentes cronogramas demonstraram ter diferentes efeitos ordenados, efeitos poderosos o bastante para influenciar o quão duro trabalhamos e com que frequência. Graças aos cronogramas, menos recompensas rotineiramente alavancam mais comportamento. A mudança de um cronograma pode mudar o efeito de uma droga, e mesmo o próprio valor da consequência.

Cronogramas nos afetam todos os dias (estejamos cientes disso ou não), bem como os sinais que nos dizem quais consequências estão disponíveis. Da mesma forma, quando decidimos o que estamos “com vontade de” fazer, estamos escolhendo entre consequências, imediatas e atrasadas, positivas e negativas. Considere o modo pelo qual procrastinadores experientes manipulam consequências conflituosas – algo que muitos de nós conhecemos muito bem. A ciência que se aplica a escolhas e tomada de decisão se baseia em consequências.

Assim como as ciências da linguagem. Peça por uma vitamina em um quiosque de sucos e receba a sua – voilá. A comunicação traz muitas recompensas, e do balbucio do bebê à canção do pássaro, consequências tem uma surpreendente influência. A linguagem nos permite criar regras que, por sua vez, criam e destroem consequências (“Não coma a neve amarela”). E naturalmente, nós seguimos regras – ou as quebramos – por causa das consequências. Consequências indicam mesmo nossos mais íntimos pensamentos, como veremos. Elas estão por toda parte.

PARTE 3: MODELANDO DESTINOS

Como consequências estão em toda parte, suas aplicações também estão, do lar ao hospital, da sala de aula à sala de reuniões. Pouco de nós dão ou recebem elogios o bastante, pesquisadores descobriram. No entanto, algo tão simples pode fortalecer um casamento, salvar um trabalhador em dificuldades, e elevar a autoestima de uma criança (se for merecido, e aí se cria uma fábula). E isso é só o começo: a ciência das consequências enriquece a vida de animais de estimação e animais de zoológico, combate o preconceito, livra adictos de seu comportamento aditivo, e ajuda a evitar a depressão com suas consequências desvalorizantes (“sem motivos para viver”). Em última análise, saber o que nos motiva nos coloca no assento de motorista.

Vamos torcer para que seja o caso de muitos de nossos maiores desafios em sociedade, que confrontam consequências de curto e de longo prazo. Em um mundo de gratificações instantâneas que nos tentam a ignorar os custos tardios, talvez possamos usar o que sabemos para fazer melhores escolhas. Todos teremos que viver com as consequências.

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